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Da religião

por Miss F, em 20.04.15

Roma é uma cidade cheia de igrejas e, ao visitar algumas (como a Santa Maria dei Miracoli e a Basílica de São Pedro) dei por mim a reflectir sobre a religião. A grandiosidade das igrejas e a aura diferente que têm levaram-me a pensar 'Deve ser giro acreditar nisto e rezar nestes sítios'. Por outro lado pensei 'deve ser giro sim, mas eu não consigo'. Apesar de ter crescido numa família católica sou ateia e, embora use como argumento mais fácil para quem contesta o meu ateísmo o facto da Igreja fazer o contrário daquilo que (supostamente) Jesus Cristo ensinou ou mesmo o facto de Jesus ser judeu ortodoxo e não ter dito metade do que dizem que ele disse (evidências históricas), a verdade é que estes são argumentos mais fáceis de explicar e menos difíceis de ser 'atacados', no fundo o que me leva a não acreditar é a falta de fé. E a fé é sempre a base de qualquer crença. Tendo crescido numa família religiosa nem sempre fui assim, em pequena cheguei a ir à catequese (fui um dia, por vontade própria, e nunca mais lá voltei), rezava algumas vezes à noite e lia passagens da Bíblia da minha avó. 

 

Contudo, conforme fui crescendo fui começando a questionar. E quando se questiona e não se encontram respostas é difícil manter a fé. Algumas pessoas dizem-me 'eu por vezes também duvido que deus exista, quando as minhas preces não são atendidas, mas há que ter fé'. Não falo deste tipo de questões, falo na racionalização da coisa. Não me faz sentido haver uma entidade superior que nos criou, a ciência contraria esta ideia com factos, com provas. Quando comecei a estudar filosofia a coisa piorou - passei a ver a religião como uma resposta à fraqueza das pessoas, é mais fácil acreditarmos que alguém lá em cima olha por nós do que sermos sempre responsáveis por nós próprios. É este ponto que se torna complicado para mim o acreditar que há de facto um deus, é esta fé que me foi incutida pelos meus pais mas que nunca consegui interiorizar por completo. 

 

No fundo, a fé é a ausência de racionalização, a crença sem questionar, e eu não consigo deixar de questionar, de racionalizar, logo não consigo ter fé.

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publicado às 19:27

Roma - Primeiro Dia

por Miss F, em 16.04.15

Gosto de viajar, embora o tenha feito pouco fora de Portugal. Eu e o meu homem andavamos a magicar uma viagem por uma cidade europeia e tinhamos várias opções em cima da mesa - Amesterdão, Berlim, Barcelona... Mas acabamos por nos decidir por Roma (contribuiu o facto de termos encontrado viagens e hotéis mais em conta). No dia 9, na passada quinta-feira lá nos pusemos a caminho e as 5h da manhã estavamos no aeoroporto prontinhos para arrancar.

 

Fomos pela TAP, tinha ido anteriormente pela Easyjet e tooooda a gente me dizia que as low-cost não prestam e bom bom é a TAP. Hmm hmm.. O Airbus 319, 320 ou 321 que são os mais usados em vôos dentro da Europa são iguais para todas as companhias, só muda o logotipo da empresa. Pois que ao nível de espaço nas cadeiras e entre filas é a mesmíssima coisa. A única diferença substancial está em darem comida, que não é nadinha de especial.

 

Aterramos em Fiumicino pelas 10h40 locais e já tinha o motorista à espera. Toda uma finesse, muitos com a típica A4 branca com nomes mas o meu tinha um tablet. Olecas, só para verem quem é importante. Olhando para ele, italiano até à quinta casa. Alto, fato custom made, óculo escuro, barba e cabelo rentinho. Più bello ragazzo (o meu homem que me perdoe mas o moço, de facto, era jeitoso). Foi muito simpático, levou-me a bagagem até à viatura, e cheguei a Roma num BMW. Lá está, tooooda uma finesse. Logo na viagem até Roma deu para perceber que a segurança na condução não é uma prioridade para os romanos (povo que odeia ser um vulgar italiano, afinal foram a capital do Império!). Ultrapassagens à maluca, velocidade estonteante, buzinanço, tudo o que se tem direito. Quando chegamos mesmo à cidade o moço lá nos começou a chamar a atenção para os pontos interessantes, como a muralha do Vaticano ou a fila para o Museu do Vaticano. Chegamos ao hotel em segurança e já tinhamos o quarto pronto, o que foi óptimo deu para refrescar antes de partirmos à descoberta.

 

Começamos por um almoço leve, uma sandes de prosciutto (mama mia, ma che meraviglioso prosciutto!!!!) e mozzarella e uma cola para refrescar. Iniciamos a visita pelo Castel Sant'Angelo. Estavamos num hotel perto do Vaticano e consoante nos íamos aproximando do castelo começavamos a ver o famoso Il Passetto, que liga o Vaticano a esta fortaleza. Inicialmente construído como um mausoléu para o Imperador Hadrian foi também usado como prisão, fortaleza e, através do Passetto, serviu também para os Papas se refugiarem em tempos de perigo. Dizem as más-línguas que alguns Papas também usavam o Castel Sant'Angelo para algumas pouca-vergonhas. Malandros! É um sítio com vistas lindíssimas sobre a cidade, sobre a Basílica e o rio Tevere (lamento mas a tradução para Tibre chateia-me, para mim é Tevere!). O nome do castelo vem da suposta aparição de um anjo no século IX. Quando o Papa Gregório organizava uma procissão ao túmulo de São Pedro para invocar a divina misericórdia e terminar com a Peste na cidade apareceu um anjo com uma espada sobre o mausoléu e, em 590, a peste terminou. A estátua no topo do castelo já foi sendo substituída (uma delas ficou destruída ao ser atingida por uma raio) mas mantém a essência do anjo com a espada. A visita ao castelo termina com uma espiral em volta do centro.

 

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 Vista do Castel Sant'Angelo para a Basílica, o rio Tevere e a Ponte Vittorio Emanuele II

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 Estátua no topo do Castel Sant'Angelo

 

Daqui seguimos para a Piazza Navona, com as suas fontes esculpidas por Bernini, uma igreja imponente e o famoso obelisco que é uma imagem de marca das praças mais importantes da cidade. Aqui paramos para comer um gielatto, são deliciosos e baratíssimos (3€ por um copo com duas bolas). Aproveitamos para descansar um pouco e vimos uma situação hilariante. Sabem como as italianas são conhecidas por serem boas? Pois que estava uma senhora do lixo (perdoem-me não me ocorre o nome técnico) com uma maquilhagem e cabelos impecáveis, mãos mais bem cuidadas que as minhas e bem jeitosa! Por esta altura já eu e o meu homem estavamos mais que rendidos à beleza das italianas!! Depois de apreciarmos a praça, que é cheia de cafés e restaurantes, seguimos caminho, desta feita para o Pantheon. Diga-se que o meu homem é muito prendado ao nível da leitura de mapas, assim fomos dar uma volta enooooorme, completamente ao contrário do que era suposto com ele sempre a dizer 'é por aqui, tenho a certeza'. Até que eu peguei no mapa e voltamos ao caminho certo. Chegados ao Pantheon entramos e estava um sinal a recordar que nos encontravamos num local de oração sagrado e para mantermos o silêncio. A intenção é boa mas não resulta, os turistas simplesmente não respeitam, mesmo com pessoas a pedirem nos microfones em várias línguas para se respeitar o silêncio. Os principais atractivos são o facto de ser um antigo templo dedicado aos deuses pagãos, embora actualmente não restem as originais estátuas pagãs que foram mandadas destruir pelo Vaticano, e o facto de ter o túmulo do renascentista Raphael, bem como dos reis Vittorio Emanuel II e Umberto I. Na praça em frente tem o famoso obelisco.

 

 

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 Piazza Navona - Igreja Sant'Agenese in Agone, Obelisco e Fonte dos Quatro Rios de Bernini

 

Depois de descansarmos um pouco voltamos à estrada em direcção à Fontana di Trevi. Em caminho paramos num café escondido, muito agradável, onde bebemos um belo cappuccino. A Fontana di Trevi foi... uma desilusão. Eu percebo, temos de restaurar os monumentos se queremos que eles durem, mas não podiam fazer isso noutra altura??? Assim... quando eu não estivesse lá? É que vi só as estátuas, sem água a correr e cheia de andaimes. Ninguém merece. Diz a lenda que se quisermos voltar a Roma devemos atirar uma moeda para esta fonte por cima do ombro esquerdo, mas cumpri este desígnio a meio gás - deixaram uma amostra de água para mandarmos a moedinha na mesma. Senhores da câmara de Roma ou responsáveis por este restauro - ficam já avisadinhos que se não voltar a Roma vos ponho um processo em cima, a culpa é vossa! 

 

Fiquem lá com o que foi possível ver na Fontana di Trevi. 

 

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Já cansados deste andamento começamos a viagem de regresso ao hotel para jantar. Passamos a Ponte Cavour que nos levou até à Piazza Cavour, situada nas traseiras do Tribunal. Esta praça marca o XX Settembre, data da batalha final que levou à unificação de Itália. Camillo Benso, o conde de Cavour foi o primeiro Primeiro Ministro de Itália e uma das principais figuras da unificação do país. Esta praça tem um pequeno jardim e vêem-se bastantes crianças a brincar e pessoas a passear os seus cães. Roma é uma cidade onde se vêem bastantes pessoas a passear cães e não tenho memória de ver cães abandonados.

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 Pormenor da estátua na Piazza Cavour. Achei engraçado que muitos sítios (incluindo as tampas do esgoto) mantêm o célebre SPQR - Senatus Populus Que Romanus

 

Para finalizar o dia jantamos num restaurante perto do hotel, o homem comeu Lasagna eu como Gnocchi. Estava agradável, mas comi noutros sítios melhores, este não recomendo. Mas a culpa é minha que já não queria mexer o rabo para procurar um sítio melhor. Em minha defesa, tinha acordado às 3h30 da manhã, ninguém merece!!

 

 

 

 

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publicado às 21:28

Sashimizanço

por Miss F, em 15.04.15

Se vejo mais alguém a partilhar em histeria o festival de sushi transformo essas pessoas em sashimi humano.

 

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publicado às 19:21

Justice for the 96

por Miss F, em 15.04.15

Hoje é um dia que marca uma das maiores tragédias no mundo do futebol. Faz hoje 26 anos que 96 crianças, homens e mulheres morreram na tragédia de Hillsborough numa semi-final da FA Cup entre o Liverpool e o Nottingham Forrest. Sou mais nova que esta tragédia, é verdade. Mas cresci a ver a Liga Inglesa e cresci a apoiar o Liverpool, e para qualquer adepto do Liverpool este é um dia especial. É o dia que marca a morte de 96 pessoas (uma delas primo do Steven Gerrard, a vítima mais nova desta tragédia), que marca um rol de mentiras iniciadas no The Sun e repetidas por jornais um pouco pelo mundo inteiro. Durante anos este desastre foi visto como hooliganismo, acusaram os adeptos do Liverpool (injustamente, como tem vindo a ser descoberto) de roubarem as vítimas, entre outas coisas mais graves que até me custam escrever, foi usado como manobra eleitoral na tentativa de ganhar votos de famílias desesperadas por justiça. O próprio inquérito foi conduzido de forma tendenciosa, com os polícias a mal-tratarem as famílias das vítimas, impedindo-as de ver as vítimas, insinuando que tinham comprado bilhetes no mercado negro. Quando as famílias foram reconhecer os corpos, estes estavam empilhados, sem qualquer respeito pela sua dignidade ou pelos familiares. A pouco e pouco a verdade tem vindo à superfície, o The Sun pediu formalmente desculpa a todas os familiares das vítimas, e foi aberto um novo inquérito no ano passado para se apurar a verdade, mas ainda assim há quem pense que isto foi hooliganismo, porque a memória colectiva é mais difícil de mudar. Por tudo isto vamos sempre continuar a lembrar este dia pelos 96 que morreram e por todas as famílias afectadas.

 

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(Imagem retirada do site Daily Mail)

 

 

Justice for the 96

You'll Never Walk Alone

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publicado às 17:04

Adoro pessoas das Finanças

por Miss F, em 15.04.15

Vem uma pessoa descansada das suas férias em Roma e percebe que tem de ligar para as finanças. Reúne todas as forças do seu ser e lá faz a chamada, depois de 1 minuto em espera (pensei que fosse pior) lá atende uma tiazoca com voz afectada. Começo a expor a situação, quando inicio a questão propriamente dita (tem a ver com trabalhar por conta de outrém mas ter passado actos isolados no ano passado) a senhora interrompe-me com um seco 'agora não entrega nada'. Eu questiono 'então mas o trabalho dependente dá para entregar apenas em Maio?' 'Oiça minha senhora (em tom arrogante, como se a minha questão fosse tão óbvia que estou a fazê-la perder precioso tempo que podia estar a empregar num café) agora não vai entregar nada, se passou actos isolados automaticamente só em Maio é que declara o anexo B e o trabalho dependente'.

 

Minha cara, se para mim isso fosse óbvio eu não estava a gastar dinheiro a ligar para aí. Dava jeito estas pessoas não se esquecerem que sou eu, contribuinte, que lhes estou a pagar o ordenado. Compreensão e simpatia não são conceitos difíceis. Se a antipatia pagasse imposto o ordenado desta senhora estava mais que pago.

 

 

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publicado às 16:46

Férias

por Miss F, em 13.04.15

Pessoas que ainda me lêem, isto tem estado um pouco parado porque estive de férias na più bella Roma! Assim que recuperar do choque de ter voltado à rotina conto-vos muitas coisas sobre a viagem!

 

 

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publicado às 22:20


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