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A Lei do Facilitismo

por Miss F, em 17.11.14

Hoje quando vagueava pela blogosfera dei com este post de um blog que não conhecia (mas gostei de ficar a conhecer!) que me fez pensar e questionar. Resumindo (embora aconselhe a leitura integral do post, vão lá, não custa nada :) ) a autora do blog fala no facto de os seus alunos cada vez mais se preocuparem com os resultados que conseguem atingir sem se preocuparem com a aprendizagem em si, não valorizam a dedicação nem o esforço, querem apenas o resultado, quase como uma fórmula mágica.

 

Este texto, embora seja sobre dança, faz-me pensar no mesmo em relação à leitura. As crianças cada vez lêem menos, a visão de um livro de 500 páginas é suficiente para desistirem ainda antes de começarem. Porque acontece isto? Estão habituados a que tudo lhes seja dado já como produto final, sem terem de se esforçar para obter esse mesmo produto, e por isso a visão de um desafio é algo que os tira da sua zona de conforto, é preferível ignorar que existem os livros.

Ler um livro, seja de 100 ou 800 páginas é sempre coisa para dar algum trabalho, uma pessoa tem que despender alguns dias para ler o livro, tem de pôr a cabeça a trabalhar, estar preparada para encontrar palavras que não conhece e que ou vai ver o significado no dicionário (ou no Priberam, que é muito mais fácil) ou, mais fácil ainda, fica na ignorância, enfim é uma trabalheira. Depois temos aquelas pessoas que nos dizem 'Não li, mas vi o filme e gostei muito'. Sim de facto um filme não exige assim tanta atenção, é coisa para estar despachada em 2 horinhas e lá seguimos a nossa vida felizes e contentes. Estaria a ser hipócrita se dissesse que nunca o fiz (aliás, no meu post sobre o Pride and Prejudice falo no filme), mas nunca vejo o filme em substituição do livro, por vezes mais como uma forma de em pouco tempo perceber se vale a pena (falarei sobre isto numa outra publicação). Mas a maior parte dos jovens arrisco dizer que nem dois livros lê por ano, ou talvez leia os obrigatórios. Ou os resumos dos obrigatórios. Os livros são encarados como uma seca, não têm imagens, não têm luzes nem acção, e aos poucos vou percebendo que o problema está em quem os lê, não existe imaginação nem criatividade dentro da cabeça para tornar o livro num filme só nosso, com as cores que só nos vemos, com os cheiros que só nós sentimos.. Desfrutar de um livro é uma coisa inimaginável, há um estigma que não é de agora em relação aos livros, são encarados como um mal por vezes necessário e não como fonte de aprendizagem ou como fonte de prazer. 

 

Inevitavelmente acabo por me questionar, e de quem é a culpa? Tem a ver com a sociedade em si, estamos cada vez mais globalizados, cada vez há menos tempo para tudo o que temos de fazer, e tudo o que seja ready made ultrapassa aquilo que pode demorar mais, mesmo que o benefício seja maior. Um exemplo vem também das escolas, quantos de nós nunca tiveram um colega que tinha grandes notas mas não sabia falar de nada? 'Empinava' a matéria para ter aquela nota mas não ficava nada lá dentro, o resultado - a nota- era mais importante do que o benefício - a aprendizagem. É lamentável ver que cada vez o mundo caminha mais neste sentido. E por mais que se descubra o que causa este mal, dificilmente ele é revertido.

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publicado às 17:13



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