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Na minha família sou vista como nerd. Como 'aquela que só quer livros'. Aquela pessoa estranha que uma vez disse 'para mim férias de sonho era uma semana com sol, piscina e muitos livros, sem ninguém para me chatear'. Aquela que não vai sair à noite há anos, que não se diverte. Quando o problema está em diferentes perspectivas do que é a diversão.

 

Para mim sair à noite é sinónimo de levar com gente bêbada, estar aos gritos dentro de uma discoteca para que me consigam ouvir (que no dia seguinte resulta em dores de garganta), a ouvir música que não gosto, sempre a levar encontrões, gastar dinheiro e ficar com dores nos pés.. Já achei isto divertido, em tempos. Saí durante o secundário, durante a faculdade, mas já passei essa fase. Se critico? De forma alguma, cada um diverte-se como quer, tenho amigas que adoram ir sair e dançar, mas eu não sou assim. Gosto de dançar sim, mas em festivais e concertos, ao som das minhas bandas, ao som das minhas músicas, não a ouvir o último hit kizombó-techno-dance. Nada contra, mas não faz o meu estilo.

 

Agora o que realmente me irrita é que as pessoas achem que eu não me divirto porque os meus padrões de diversão são diferentes. Eu leio para me divertir, eu divirto-me a aprender coisas novas, seja o que for. Divirto-me a ver museus (embora admita que vá menos vezes do que gostaria). Divirto-me com cinema. E não é só sacar filmes, é mesmo ir ao cinema, tem outro encanto. Quando fui a Londres o ano passado perguntaram-me o que tinha feito por lá e eu disse que fui ao National History Museum e ao British Museum, fui ao Madame Tussauds, fui a Camden e ao Hyde Park, percorri a Oxford Street e jantei num Pub. 'Então e a noite?' 'Não fui sair.....' 'Como é possível???' Eu diria que sendo um hábito que não tenho em Lisboa não faz muito sentido ir sair em Londres, suponho que seja semelhante - bebida, música aos gritos e encontrões. Mas, na cabeça dos outros, eu tenho de fazer aquilo que os outros acham que é divertido. 

 

Lamento meus amigos, mas eu vou continuar a ser assim, e pior, sou feliz assim. E sinto-me mais feliz e realizada quando uma das pessoas que me critica por ser como sou, face a esta imagem

 

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me responda 'Não sei quem é o Senhor Gordinho'. Afinal eu não ando a perder tempo a ler. 

 

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publicado às 20:57


2 comentários

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De Tea a 18.03.2015 às 09:54

Ah ah ah! Gostei imenso do teu texto. Também padeço de um problema algo semelhante. Cá em casa sou um bocado incompreendida no que toca ao meu gosto por livros. Este ano disse que queria que houvesse um fim-de-semana em que iamos fazer o que eu queria, ou seja não ia haver praia, nem piscina, nem os sítios comuns a que toda gente vai, mas museus. Ninguém achou muita piada, mas fizeram-me a vontade. Eles gostam de museus, mas preferem muito mais estar na praia. Digamos que não é fácil ser a ovelha negra da família. A minha avó cada vez que vê os livros que me acompanham quase sempre começa a dizer que eu sou uma coitadinha, que me faz mal ler tanto...
Quando li o teu texto percebi que afinal, não estou sozinha! ;)
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De Miss F a 19.03.2015 às 19:33

Obrigada pelo comentário :)

Sim, não estar sozinha no mundo é de facto um alívio!! Não é nada fácil realmente, mas acho que é mais difícil para os outros lidarem com isso do que para nós :)

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