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Saiu recentemente (em Outubro sensivelmente) a notícia que o MNE ia abrir concurso para estágios profissionais em Março. Desde que acabei a licenciatura, em 2012, é a primeira vez que o fazem. No meu actual trabalho o contrato acaba em Maio (sem hipótese qualquer de renovação, como em todos os sítios no fundo) e pensei que esta podia ser uma boa oportunidade de trabalhar na minha área de formação, Relações Internacionais. As candidaturas abriram na segunda-feira e ontem registei-me no site e iniciei o processo de candidatura. Preenchi os meus dados pessoais, habilitações académicas e para avançar aparecem alguns itens tipo termos e condições e deparo-me com a alínea d), ponto 2:

 

"[Declaro que] não exerci uma ou mais atividades profissionais por um período seguido ou interpolado, superior a 12 meses"

 

Esta alínea exclui-me de me candidatar a um estágio na minha área porque, admirem-se, desde que acabei a licenciatura, HÁ 3 ANOS, tive de trabalhar. Coisas da vida, ter de trabalhar para viver. Ter contas para pagar, tirar uma Pós-Graduação e, sei lá, comer, obrigaram-me a trabalhar num sítio com condições precárias, a fazer uma coisa que não gosto. E sou prejudicada por isso. Mas após 8 meses de desemprego tive de aceitar o que havia. Isto leva-me a concluir que estes estágios são apenas para quem, aos 22 anos (tendo iniciado a licenciatura aos 18 e feito tudo certinho) nunca teve de trabalhar, excluindo assim aqueles que tiveram de pagar os estudos e aqueles que, sem perspectivas de trabalhar na área, tiveram de se fazer à vida nos entre-tantos (duas situações em que me incluo). Acho que vai ser um desafio encontrar pessoas até aos 30 anos que nunca tenham trabalhado um ano. Ou não, se formos procurar camadas da sociedade mais abastadas onde as pessoas não são obrigadas a trabalhar se querem estudar. E atenção que não tenho nada contra estas pessoas, acho que, se podem, devem aproveitar a situação. Mas acho injusto que eu (e a maioria dos meus colegas que acabaram o curso em 2012 e 2013) não possa concorrer a um estágio na minha área porque trabalhei noutras áreas para ter dinheiro. Sim, podem-me dizer que um estágio é para quem não tem experiência, é para aprender. Mas de facto eu na minha área não tenho experiência nenhuma. E se calhar nunca vou ter neste país onde os regulamentos e portarias estão muito longe da realidade.

 

Mas pode ser que um dia ainda possa vir a trabalhar na área. Quiçá lá fora.

 

Portanto deixo um apelo sentido: jovem que nunca trabalhaste, se ambicionas começar a tua actividade profissional agora que já estás crescido, aproveita, este estágio é para ti!!

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publicado às 18:36


18 comentários

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De CM a 18.03.2015 às 08:52

Olá. também sou licenciada em Relações Internacionais no ISCSP. Acabei em 2005... Em 10 anos nunca trabalhei na área. Não fosse a Força Aérea, ainda hoje não teria uma profissão nem uma carreira.
Não é para te desanimar, mas recomendo abrir os horizontes a outras oportunidades. Tenho colegas de curso nas mais variadas áreas! Num curso de 50.. 3 trabalham na área!
Boa sorte!
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De Miss F a 19.03.2015 às 19:12

Obrigada pelo comentário e pelo link :) A verdade é que tenho aberto os horizontes, estive algum tempo desempregada e procurava em diversas áreas, mas sempre sem sucesso. Já sabia à partida que esta era uma área difícil, mas a minha revolta não é com a área em si, é mesmo com esta situação em particular.

Obrigada!
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De Anónimo a 18.03.2015 às 11:56

Terminei o meu curso há 3 anos e felizmente consegui emprego. No entanto, nada que não me faça desejar mais e melhor. Quando vi o recrutamento para uma multinacional de renome, mesmo que para estágio, aceitei logo e fiz candidatura. Não fui a seleccionada porque, imagine-se, trabalhei e fiz descontos (trabalho legal!) no último ano.

E pronto, assim se perde uma oportunidade, quem sabe, única. Percebo a tua frustração, porque também foi a minha... :(
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De Teodoro a 18.03.2015 às 12:44

Fez descontos????? não sabe que isso não se faz!!! se calhar foram para a SSocial?? pior ainda...
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De Miss F a 19.03.2015 às 19:13

É bastante frustrante sermos recusados em oportunidades de carreira porque trabalhamos em sítios precários, percebo perfeitamente! É continuar a lutar pelo nosso espaço e não desistir :D

Obrigada pelo comentário!
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De Jornada 23 a 18.03.2015 às 13:38

Ainda ontem estava a falar com a minha melhor amiga sobre conseguir arranjar algo na minha área. A verdade é que me mudei para Londres (1 ano atrás) para tentar arranjar trabalho na minha área (social) e ainda não consegui e de forma inconsciente a minha cabeça diz-me "Se tivesses em Portugal talvez já tivesses conseguido"...mas a realidade é que possivelmente eu estaria a fazer um trabalho qualquer, tal como estou a fazer aqui. Tento manter a esperança de que ainda hei-de conseguir .

Boa sorte para ti =) sei bem o que é, depois de tanto esforço e dedicação para tirar um curso, vermo-nos obrigados a fazer outra coisa qualquer e a ver o nosso sonho cada vez mais longe.
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De Miss F a 19.03.2015 às 19:15

O meu plano é exactamente ir para fora, mesmo que não seja trabalhar na minha área pelo menos que seja num sítio onde não me sinto explorada!

Boa sorte também e continua a tentar, um dia havemos de consgeuir :D E obrigada pelo comentário!
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De Ideias e Baleias a 18.03.2015 às 14:45

Quem define as condições de estágios como os que referiu das duas uma: a) ou não tem conhecimento da realidade do país b) ou tem e prefere segmentar os potenciais candidatos.
Esse estágio podia muito bem manter-se e dedicar-se às pessoas que acabam de se formar, para lhes facilitar a entrada no mercado de trabalho. Mas quem define este tipo de estágios tem de pensar de forma integrada, por isso a minha sugestão seria a criação de um segundo tipo de estágios cujas condições permitissem a candidatura de pessoas que já tivessem trabalhado noutras áreas, mas não na sua área de formação. Em relação a este ponto, penso que isto já foi uma realidade, agora não lhe sei dar o link (talvez fossem os estágios do IEFP).
No entanto, caso sejam os estágios do IEFP, estes têm sido aproveitados pelas empresas para obter trabalhadores baratos e descartáveis (12 meses com 1 estagiário e depois venha outro).
Pode ver o que escrevi sobre isto em: http://ideiasebaleias.blogspot.pt/2014/11/houve-tempos-em-que-o-emprego-era-para.html

Boa sorte na procura de emprego e mantenha-se forte ;)
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De Miss F a 19.03.2015 às 19:20

Exactamente, é esse o ponto de vista que defendo, o estágio deve ser para quem não tem experiência na área, sem excluir quem tem experiência noutras áreas que em nada estão relacionadas.

É triste ver que no nosso país medidas que à partida são positivas tornarem-se formas de aproveitamento e exploração. São raras as empresas que realmente utilizem estes estágios para formar profissionais que acrescentem uma mais-valia à empresa, muitos acabam mesmo sem aprender nada, fazem um pouco disto e daquilo consoante as necessidades das empresas.

Obrigada, sem dúvida que me vou manter forte :D
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De Picoult a 18.03.2015 às 16:03

Olá, sou a jovem que nunca trabalhou porque em três anos constantemente a enviar currículos nunca recebi nem sequer uma resposta. Estudei durante três anos à noite, com o risco de ter que fazer um caminho de trinta minutos, ir e vir de bicicleta, porque aqui ou tens carro ou estás lixado. Isto para no caso de surgir uma oportunidade de emprego não ter que deixar de estudar ou ter que dizer que não. Assim, poderia estudar e trabalhar ao mesmo tempo.

Ambiciono começar a minha actividade profissional à três anos e qualquer coisa e ainda não me foi dada uma oportunidade. Mas espera, que eu ainda não estou crescida suficiente. Recentemente surgiu uma oportunidade, que aparentemente (dou só mais esta semana de esperança) vai voltar a ser um não. E porquê? Porque apesar dos meus 21 anos não sou crescida. Sou demasiado nova para trabalhar.

Obrigada pelo teu apelo sentido! Porque eu estou ansiosa por este estágio de 3 a 10 meses pelo qual ainda vou ter que esperar para ser chamada e no qual não sei se vou ficar devido ao estado aproveitador do país por parte dos estagiários.
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De Miss F a 19.03.2015 às 19:25

Compreendo perfeitamente a situação, quando andava a estudar também tive dificuldade em arranjar trabalho porque tinha pouca experiência (o meu currículo é pautado por empregos temporários, os únicos que consegui ir encontrando). Quando acabei a faculdade, já tendo alguma experiência, continuei a não ser seleccionada porque ainda não tinha experiência suficiente. E a minha revolta neste momento ainda é maior porque depois de tantos anos a não ter experiência suficiente (por não me ser dada essa oportunidade) agora de um momento para o outro tenho experiência a mais. Vá-se lá entender!

Boa sorte e obrigada pelo comentário :D
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De Picoult a 19.03.2015 às 19:59

Tens que ver que não foram pessoas como eu que fez as regras. Quando surgem estas coisas deves revoltar-te com quem as fez ou ficar contente porque finalmente o país evoluiu em qualquer coisa.

Era pior se nunca surgisse esta oportunidade, se a CP nunca fizesse descontos como os que têm feito e afins. Só porque não tiveste essa oportunidade não quer dizer que os outros não possam ter.
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De Miss F a 19.03.2015 às 20:39

Acho que é claro que a minha revolta é contra quem fez as regras, não contra quem beneficia delas. Aliás, digo no post

"E atenção que não tenho nada contra estas pessoas, acho que, se podem, devem aproveitar a situação."

Mas acho estas regras injustas, e vou achar sempre que veja que não estão reunidas condições de igualdade de oportunidades. Aqui há uma discriminação de quem teve de trabalhar. Sinceramente pouco importa se quem até há data não trabalhou foi porque não teve necessidade ou porque não conseguiu arranjar trabalho, importa que quem efectivamente trabalhou, em situações mais ou menos precárias, sem nunca ter sido na área, seja discriminado por isso. É ridículo.
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De Anónimo a 18.03.2015 às 18:52

Boa tarde, concordo plenamente! As 'regras' estão desadequadas da realidade! Parece que o objectivo é desincentivar as pessoas de trabalharem para só ficarem à espera dos estágios nas áreas que estudámos. E até lá, como pagamos as contas?
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De Miss F a 19.03.2015 às 19:28

Exactamente, as regras são feitas por pessoas que não têm a mínima noção da vida real, são desenvolvidas com base em folhas de excel e estatísticas que de pouco servem. Como dizia um professor meu: eu e tu vamos jantar, eu como um frango assado e tu não comes nenhum, estatisticamente cada um comeu meio frango. Contudo, esta estatística está muito longe da realidade!

Obrigada pelo comentário!
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De Uma mulher apaixonada a 21.03.2015 às 15:38

é mesmo isso... e parece que "quem manda" não está nada preocupado com o facto de estar desajustado... isso é que é revoltante!
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De pips a 21.03.2015 às 19:29

Eu sempre trabalhei enquanto estudava e fiz estagio profissional de 12 meses.. talvez devas ligar ao iefp para te esclareceres melhor relativamente a isso..
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De Miss F a 23.03.2015 às 16:15

As regras dependem de cada estágio, já encontrei estágios em que não se podia ter descontos mais de 6 meses por exemplo. Este como é um estágio do MNE tem características diferentes às gerais do IEFP.

Mas obrigada na mesma :)

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