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Não há almoços grátis

por Miss F, em 18.11.14

Em economia aprendemos logo à partida que não há almoços grátis. Há sempre um custo de oportunidade inerente a qualquer escolha, optar por A significa deixar de escolher C ou B. E a crónica deste fim-de-semana de Pacheco Pereira (que podem ler aqui) remete-nos exactamente para isto. Por cada livro que lemos há outro que deixamos de ler. Isto é uma coisa que me apoquenta, ter uma lista infindável para ler, dezenas de livros em casa que ainda não consegui ler (mas ainda assim continuo a comprar livros como se não houvesse amanhã) e perceber que não há tempo para tudo. Há quem peça mais horas do dia para terminar tudo o que tem pendente, eu só pedia uma hora extra para poder apenas e só ler.

 

Nesta crónica Pacheco Pereira diz que 'na melhor das hipóteses, numa vida de grande leitor, dificilmente se pode ultrapassar os 4000-5000 livros e já é contar por cima'. Também eu fui fazer as contas. Uma pessoa que viva 80 anos para ler 4 mil livros, e considerando que nos primeiros 6-7 anos não conseguimos ler, tem uma vida "útil" de 73 anos de leitura logo teria de ler 55 livros por ano para alcançar esse objectivo; para os 5 mil livros e com os mesmos pressupostos teria de ler cerca de 68 livros por ano. Isso é o dobro do que li em 2013, que pelos meus registos foi o ano em que li mais livros. E consegui tal marca porque estive metade no ano desempregada o que me permitiu ter mais tempo, mas num ano normal leio cerca de 2 livros por mês, dependendo também do tamanho e complexidade dos livros que escolho ler. 

 

Pacheco Pereira levanta a questão se vale a pena ler livros novos uma vez que a história da literatura é tão vasta e rica em bons livros. A mim surge-me outra questão. Numa outra publicação tinha prometido que ia falar sobre a questão livro vs filme, e a minha questão é:

 

Face e esta visão dos infernos, vale a pena ler tudo?

 

Muitos de nós têm listas de livros que querem ler, estão sempre a surgir novas sagas e novas opções que ainda estão frescos nas prateleiras e já têm acordos para o filme, vale mesmo a pena lermos o livro antes do filme? Ao ler esse livro sensação vou estar a deixar de ler outro que pode ser bem mais interessante e que só poderei saber lendo, logo entre um e outro prefiro ler aquele que só há em livro. Aqui não se trata de preguiça, é mesmo perceber se vale a pena ler porque é sensação. Dou-vos dois exemplos, o Hunger Games e o Divergente. Sabia que o Hunger Games envolvia algo próximo da ficção científica, algo que não é muito o meu estilo, mas havia muito zum zum à volta da saga. Vi o filme, adorei e depois li os livros que se tornaram numa das minhas sagas preferidas. O Divergente sabia que era algo parecido com o Hunger Games (também 'separam' as pessoas por áreas, embora de forma bastante diferente) mas não sabia muito mais, cheguei a folhear o livro mas optei por ver o filme. Se é um bom filme? Sim. Faz-me ter vontade de ler os livros? Nem por isso. Prefiro investir em outros livros que quero mesmo ler, não por preguiça, mas porque o custo de oportunidade é mais elevado lendo este livro ao invés de outro. Se vejo o filme em substituição do livro? Não, opto por conhecer a história de uma forma que me rouba menos tempo a outras histórias que prefiro explorar.

 

Em última análise o filme é uma forma de rentabilizarmos a leitura, em poucas horas vemos se a história nos atrai, se sim avançamos para o livro, caso contrário agradecemos o tempo que não perdemos a ler uma coisa que não é bem o que queríamos ler e aproveitamos o tempo de outra forma!

 

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publicado às 20:29


2 comentários

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De Tea a 27.08.2015 às 00:12

Desculpa, mas vou ter de discordar. Há filmes que tiram tanto ao livro, nao só em termos de conteúdo como de qualidade, que quando vemos o filme não nos gera nenhum interesse e depois o livro é ótimo. Não julgues o livro pelo filme. Há filmes péssimos que não fazem minimamente jus ao livro. Acho que só podemos dizer: "Não quero mesmo ler livro y ou x", depois de o começarmos a ler.
Ainda em relação ao número de livros que conseguiremos ler no total dos anos úteis a nossa vida, é um número assim um bocadinho inglório, digamos assim. Achei giro essa contabilização de tudo o que poderemos vir a ler. Achamos que temos a vida inteira para ler a Biblioteca da Alexandria, mas afinal temos uns parcos 4000 livros (na loucura das loucuras) para ler na vida toda.
Desculpa pelo comentário tão grande, mas já agora gostava de te dizer que gosto imenso dos conteúdos que publicas e da forma como os vais organizando.
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De Miss F a 27.08.2015 às 11:43

Não se pode concordar sempre e gosto de conhecer diferentes pontos de vista Dou-te toda a razão quando dizes que os livros são na maioria das vezes bem melhores que o filme, nunca me aconteceu dizer que o filme é melhor. Se, por exemplo, não me passa pela cabeça ver filmes como O Amor nos Tempos de Cólera em substituição do livro, no caso destas sagas 'da moda' raramente leio os livros. Faço mais isto com livros sobre os quais me falam mas eu não tenho grande interesse à partida, livros que nunca pegaria por iniciativa mas como alguém me 'chateia' eu acabo por ver o filme para ver se vale a pena. O Divergente dificilmente vou ler, a história não me apela. E no filme o que mais gostei foi por ser com a Shailene Woodley, a Hazel Grace do The Fault in Our Stars.

Ohh obrigada! Estás sempre à vontade para comentário grandes, eu própria tenho dificuldade em conter-me no tamanho. E um elogio sabe sempre bem, como é óbvio!

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