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Obsoletismos de estado

por Miss F, em 02.10.15

Cada vez acredito mais que os centros de emprego servem mais para nos dificultar a vida do que para nos ajudar. Até vou dividir por pontos para ser mais fácil:

 

1. Estou desempregada e recebo subsídio de desemprego.

2. Em 5 meses os únicos contactos que tive do centro de emprego foram 'sessões colecticvas de trivialidades'.

3. Consegui, por minha iniciativa, ser seleccionada para um estágio que vai ter início em Janeiro.

4. Este estágio prevê uma formação intensiva obrigatória de três meses, a full-time, sem qualquer remuneração.

5. Se não tenho remuneração tenho direito a continuar a auferir o dito subsídio. Até aqui, estão a acompanhar?

 

Desloquei-me ao centro de emprego para saber se, dado que já tenho emprego GARANTIDO a partir de Janeiro (logo vou deixar de ser um encargo para o estado) e tendo uma formação OBRIGATÓRIA para integrar esse emprego se era possível suspender a procura activa de emprego e as presenças quinzenais (que vão coincidir com o horário da formação). Não. Porque se estou desempregada tenho esses deveres. Sim, tudo bem, aquilo que estou a explicar é que na prática eu consegui o "dever" mais difícil - arranjar emprego através da procura activa de emprego, mas a remuneração é só a partir de Janeiro, logo até lá não tenho meios de subsistência (diga-se que nuna recebi outros subsídios, nem sequer uma baixa médica, é a primeira vez que sou um encargo para o estado). Não, porque aliás, se até Janeiro lhe apresentarmos uma proposta de trabalho que se enquadre no seu perfil está obrigada a aceitar. Mas não está a perceber, eu já tenho emprego GARANTIDO, mas só começo a ser paga em Janeiro. Pois. Tentei ainda ir por outra via - marcar os 30 dias de dispensa anuais a que temos direito neste primeiro mês e depois logo tentava articular com a empresa a questão das apresentações mais tarde, quando já houvesse alguma 'confiança'. Tem de marcar com 30 dias de antecedência, só pode pedir para 2 de Novembro. Sim, porque deve ser difícil conciliar as férias dos desempregados, depois há pouca gente e não está assegurada a produtividade (sarcasm mode: on). 

 

Eu sei que leis são leis, mas caramba não há um pouco de bom senso? Era preferível eu ter ficado com o rabo no sofá à espera de uma proposta deles? Que em 5 meses aconteceu.... Nunca? Pior, a resposta até podia ser a mesma - um rotundo não vai dar, mas a forma como nos falam dá vontade de lhes atirar com uma coisa à cabeça, com aquela arrogância de quem nunca esteve desempregado e por isso despreza quem está nessa situação e não mostra qualquer simpatia.

 

São este tipo de burocracias estúpidas que atrasam um país que, no século XXI, vive numa realidade dos anos 70. Onde desempregados são tratados como criminosos, com apresentações quinzenais. Onde não há o mínimo de flexibilidade para entender que a vida não é linear, que há situações que fogem às leis obsoletas destes organismos. O que provavelmente vai acontecer é que, se a empresa não estiver para 'aturar' estas situações de ter de chegar mais tarde/sair mais cedo para ir às apresentações vou acabar por deixar de receber o subsídio de desemprego e ter de recorrer à ajuda financeira de familiares para não perder uma óptima oportunidade de emprego. E são estas merdinhas deste país que me fazem ter vontade de fazer as malas e ir embora de vez, porque descontamos para tudo e mais um par de botas e quando precisamos da mínima coisa do estado fazem ouvidos moucos e estão-se a cagar para as pessoas. E já não tenho vontade nenhuma de viver num país assim. Bardamerda para isto.

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publicado às 16:12


9 comentários

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De vanita a 05.11.2015 às 14:21

Olá! Uma sugestão: pede o subsídio de emprego parcial. Dizes que arranjaste uma tarefa qualquer a recibos verdes, mas que é uma ninharia. A partir daí, tens direito a subsídio parcial, menos do que ganhas agora, mas uma boa percentagem do que já auferes. E, a boa notícia: ficas isenta da apresentação quinzenal. Depois diz-me se resultou no teu caso.

Boa sorte!
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De Miss F a 05.11.2015 às 15:21

Vanita, obrigada pela sugestão Entretanto consegui com os tais dias de dispensa e, graças a dias com menor carga horária, continuar a ir às apresentações a tempo e horas para não perder o subsídio! Mas foi mesmo por sorte, parece que a empresa adivinhou a situação (até porque tenho outros colegas na mesma situação!)
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De vanita a 05.11.2015 às 15:22

Boa! O que interessa é que tudo se resolva :)
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De Sara a 05.11.2015 às 14:32

Já fui técnica do centro de emprego e muitas vezes até sentia vergonha e embaraço de explicar às pessoas determinadas leis e regras.
Há realmente coisas que não fazem qualquer sentido e muita coisa precisa ser revista.
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De Miss F a 05.11.2015 às 15:16

É verdade Sara, o problema também é esse - quem tem que dar a cara acaba por ompreender que as coisas não fazem sentido (já falei com outros técnicos que me disseram isto de forma mais ou menos imperceptível). Contudo, neste caso a senhora também não foi propriamente simpática e roçou a má-educação.
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De Fernando Oliveira a 05.11.2015 às 16:17

É mesmo assim.

Estou desempregado pelo que estou a comprovar a inutilidade do IEFP, de tal forma que se alguma vez fosse governo o IEFP seria a primeira organização a extinguir.

Afinal são só mais uns empregos que se criaram na função pública ... para nada.

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De Miss F a 05.11.2015 às 18:05

Eu não diria extinguir, mas reformar profundamente sem dúvida. Não sou adepta do facilitismo, mas as burocracias que existem no desemprego.. Oh meus amigos trabalhar dá menos trabalho do que estar desempregado. Nunca tive tantas 'chatices' como desde que estou desempregada.

Discordo que as pessoas se aproveitem do subsídio para não fazer nenhum e concordo que deva existir uma procura activa de emprego, mas as apresentações servem exactamente para quê? Ter de informar se vou para fora do país? Então eu não podia ter já viagem marcada e, de repente, ficar sem emprego?

Enfim, há muita coisa inútil e, naquilo que podiam ser úteis, raramente são.
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De Anónimo a 05.11.2015 às 21:08

Boa noite
Se está a receber subsídio de desemprego não pode trabalhar. Motivo: o subsídio é para desempregados, nāo para quem trabalha.
Se tivermos duas empresas concorrentes em que uma paga aos seus trabalhadores e à Seg Social e outra que vive à custa do trabalho de desempregados, rapidamente a primeira iria falir e arrastar os seus trabalhadores para o desemprego, que provavelmente iriam ser explorados pela sobrevivente... Percebe o porquê da lei?
Sem ordem temos o caos, e no caos sobrevivem os oportunistas.
Cumprimentos
J Silva
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De Miss F a 05.11.2015 às 21:38

A questão é que em lugar algum eu digo que estou a trabalhar. Estou a fazer uma formação, paga por mim, para adquirir conhecimentos que me vão permitir um melhor desempenho no trabalho que vou iniciar em Janeiro. O trabalho, efectivamente, só começa em Janeiro, nem sequer estou nas instalações onde vou trabalhar. Naturalmente a partir de Janeiro vou deixar de receber subsídio de desemprego, porque aí sim inicio uma actividade profissional, o que não é o caso neste momento.

Deixo bem claro que, além de entender, sigo a lei. Contudo sou da opinião que a legislação, tanto laboral como para desempregados (que, em muita coisa segue o código do trabalho), está desactualizada e desfasada do mundo real. Acha que faz algum sentido um desempregado ter de se apresentar quinzenalmente e comunicar ausências do país? Onde está a livre circulação de pessoas dentro da União Europeia? Olhe que já pensei seriamente em levar este caso ao TJUE porque acho que vai contra o artigo 3º do Tratado da UE.

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