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Que merda de país é este?

por Miss F, em 22.12.15

Onde uma pessoa morre por não haver médicos ao fim-de-semana, porque não há dinheiro, e noutro fim-de-semana se salva um banco? Eu estou ligada à área financeira e da banca e sei que é importante salvar os bancos, por causa dos depositantes, por causa do risco sistémico e por tudo e mais um par de botas. Mas caramba, arranjamos 3 mil milhões para um banco (fora os outros bancos) mas não se consegue pagar mais a um médico para garantir que há médicos ao fim-de-semana?

 

Por outro lado, os médicos quando escolhem a profissão (e são dos poucos que escolhem realmente aquilo que querem fazer, eu tirei Relações Internacionais e estou noutra área porque na minha não há nada) não têm noção da realidade? Acham que só há doentes de segunda a sexta, das 9h às 17h? Epa basta verem um episódio da Anatomia de Grey ou do E.R. para perceberem que a vida de médico não tem horários. E se é verdade que os médicos trabalham com horários exagerados que podem até pôr em risco os próprios pacientes por excesso de cansaço, também me parece um bocadinho de mais não haver médicos ao fim-de-semana num hospital na capital do país porque acham que recebem pouco para isso. Meus amigos, toda a gente recebe pouco neste país. Sim, vocês estudaram mais e zelam pela nossa saúde, mas estão em Portugal, recebe-se pouco e trabalha-se demais. A diferença é que se uma pessoa 'normal' recusar trabalhar ao fim-de-semana ninguém morre, no máximo é despedida. Isto não vos pesa na consciência? Se acho que a culpa é do Estado que vos devia pagar melhor? Acho. Se acho que vocês deviam ter um pouquinho de noção da realidade e não fazerem essas birras? Também. Acho, acima de tudo, que deviam honrar a vossa nobre profissão e colocar as pessoas acima das vossas lutas 'sindicais'.

 

Resta-me ainda questionar que raio de hospital é este que perante um caso destes não tenta chamar um médico? Sim, eles não trabalham ao fim-de-semana, mas estamos perante uma situação de urgência extrema, caso LITERALMENTE de vida ou morte. Não houve nenhuma enfermeira que tivesse pensado 'Caramba isto é grave, vou ver se alguém consegue vir socorrer o miúdo'? Sim, porque falamos de um miúdo de 29 anos que morreu de uma forma estúpida. Que deixou a família de um momento para o outro, a namorada, amigos, uma vida pela frente. 

 

Eu estou perplexa com este caso. Deixo-vos o testemunho da namorada para perceberem o quão ridícula foi toda a situação.

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publicado às 22:33


2 comentários

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De oBomIdiota a 23.12.2015 às 00:09

Acho que culpar o Estado neste caso é injusto. Só vai levar com a culpa porque é o Estado. E essa comparação entre a saúde e a Banca só mostra que há falta de culpados e do que se dizer, culpa-se o Estado. Isso é mesma coisa que um idoso em Vila Velha de Ródão tropeçar na calçada do passeio, porque a esta faltava uma pedrinha no ladrilho, e morrer e vir-se dizer que há milhões para salvar um Banco e não uns euros para a Câmara contratar um calceteiro.

Ou então alguém que tem um acidente porque a estrada está mal alcatroada. Ou alguém que leva com uma árvore em cima porque os homenzinhos da proteção civil não acharam por bem considerá-la um risco. Ou tantos outros "ses".

Admito, o timing foi péssimo, mas o Estado não pode levar com a principal culpa de isto ter acontecido. É que trata-se de um caso isolado e que ocorreu na base da pirâmide que é a máquina estatal no seu todo.

Mas pronto, acaba por ter culpa, quanto mais por se tratar do SNS, e é o Estado o ente competente e responsável.


Só que para mim, os verdadeiros culpados, são os "profissionais" daquele serviço e daquele hospital!
Transcrevo do Público:

"Segundo o centro hospitalar, a prevenção é feita em “regime voluntário” e “existiu indisponibilidade por parte de alguns profissionais para a fazer, o que se deve às alterações dos regimes remuneratórios. Alguns daqueles profissionais rejeitaram os valores actualmente propostos para o pagamento dessas horas de prevenção, o que inviabiliza o indispensável trabalho da equipa”.



Estamos a falar de pessoas que escolhem Medicina para salvar vidas, mas depois, as vidas já não importam se o cheque não for daquele valor. A estes "profissionais" em causa, que pese na consciência a morte deste jovem que morreu porque a dignidade e responsabilidade destes médicos tem um preço de Euros e não de Carácter.
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De Tea a 23.12.2015 às 12:22

Não faz muito sentido o que aconteceu. Ainda não li todos os detalhes, mas é estranho não haver benhum médico de urgência em neurocirurgia que pudesse executar a cirurgia com a sua equipa.
Discordo comtigo quando dizes que os médicos em Portugal ganham de menos. Na maioria dos casos não ganham. Na maioria dos casos ganham mais que outros médicos que ocupam as mesmas funções noutros países europeus.
Concordo quando falas numa certa inoperância. Parece que toda a gente esperou que o rapaz morresse para se fazer alguma coisa.
Quando dizes que os médicos vão para Medicina porque querem, é verdade, mas há tantos médicos com falta de vocação, que vão para Medicina por todos os motivos, menos pelos mais indicados (como gostar da área, não digo que seja o cliché de salvar pessoas, mas gostar da área).

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