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Objectivos Literários para 2016

por Miss F, em 07.01.16

Normalmente não faço grandes resoluções de ano novo, mas os livros são excepção. Gosto sempre de definir mais ou menos o que vou ler para ter uma ideia de como organizar o meu tempo. Assim ficam aqui os meus objectivos para este ano.

 

1. Ler autores novos. Foi um objectivo que estabeleci em 2014 e revelou-se muito proveitoso e interessante. Foi nesse ano que descobri Haruki Murakami, Carlos Ruiz Zafón e Daniel Silva, autores que se tornaram dos meus preferidos. Foi também o ano em que quebrei o estigma com a Nora Roberts e percebi que não era nada do que pensava. Se lermos os nossos autores de sempre é como regressar a casa, ler autores novos é um desafio interessante que nos abre a porta a novos mundos e novas formas de ver e escrever a vida. Para este ano ainda só tenho programado conhecer Harper Lee.

 

2. Ler pelo menos 30 livros, mas tentar chegar aos 40. Apesar de para a maioria das pessoas eu ler muito, se comparar com páginas que sigo no Instagram ou outros bibliófilos aqui do bairro do Sapo sou uma menina. A verdade é que há alturas em que leio dois livros por semana, mas há outras em que demoro um mês a ler um livro. Este ano culpo a Donna Tartt por me ter feito perder um mês com O Pintassilgofez-me abrandar o ritmo de leitura com que andava. Depois voltar a estudar também ão facilitou, mas ainda assim li mais do que 30, já foi bom.

 

3. Voltar aos clássicos. Se quero ler autores novos, também quero voltar a autores de quem tenho saudades, nomeadamente Agatha Christie que me acompanhou muito na juventudo e de quem já não leio nada há tanto tempo que nem me lembro do último que li. 

 

4. Escrever mais reviews. É uma estupidez ter criado o blog para falar de livros e raramente fazer reviews. A verdade é que nem sempre tenho tempo de escrever quando acabo de ler e depois parece que o livro já passou e já não faz sentido escrever sobre ele. Este ano prometo que me vou esforçar. A par disto vou tentar ir anunciando que livro estou a ler ou vou ler em seguida para vos ir mantendo a par.

 

5. Fazer mais leituras conjuntas. Gostei muito da experiência da leitura conjunta com a Magda e a Azulmar e quero repetir. Com a Magda parece que vamos embarcar, algures este ano, nos dois da Harper Lee. Mas este objectivo está directamente relacionado com o anterior, ao publicar mais regularmente o que vou ler convido-vos a lerem o mesmo que eu (caso tenham vontade) e assim irmos fazendo leituras conjuntas ou apenas trocar opiniões sobre os livros, caso já tenham lido.

 

6. Passar à frente quando não gosto. Eu sou uma pessoa que gosta de terminar tudo o que começa, e com livros a história não é diferente. O problema é que muitas vezes acabo presa a livros pouco interessantes que me fazem perder tempo quando podia estar a ler outros. O Pintassilgo foi um desses casos, fez-me perder imenso tempo e não compensou. Se gostei bastante dos capítulos finais, a verdade é que os mesmo não compensam as partes aborrecidas. Por isso este ano se não estiver a conseguir ler um livro seja porque não me prende, porque não gosto ou porque é aborrecido parto para outro!

 

7. Ir ao The Literary Man. É um objectivo parvo, sim, mas desde que ouvi falar neste hotel que fiquei encantada. Mesmo que não passe lá uma noite (estive recentemente em Óbidos) quero pelo menos tomar uma refeição e ficar a conhecer este paraíso para os apaixonados por livros.

 

Sete objectivos para 2016 parece-me bem. Veremos como corre, mas com o início de um estágio na próxima semana temo que o meu tempo para a leitura vá ser reduzido, mas vou esforçar-me por conseguir cumprir estes objectivos. E desse lado, que objectivos, literários ou não, têm para 2016?

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publicado às 12:20

O Kobo tem uma roupa nova!

por Miss F, em 27.11.15

Já vos disse que o moço me ofereceu o Kobo no meu aniversário e que temos sido muito felizes os dois. Até agora passamos juntos 105 horas de leitura, que correspondem a 12 livros lidos no Kobo desde Maio. Mas durante este tempo ele andou desprotegido, sem uma capa conveniente. Quando o levava a passear ia numa bolsinha super-hiper-mega pindérica com lantejoulas, a única que tinha em casa que era grande o suficiente para caber o Kobo mas não tão grande assim que ele andasse a bailar lá dentro.

 

Durante estes meses fui a todas as lojas que me ocorreu que pudessem ter capas para tablets - desde Fnac à Worten, Box (Jumbo) e aqueles quiosques nos centros comerciais. Mas eram sempre demasiado grandes (o meu Kobo só tem 6'), a mais razoável que encontrei foi na Box, uma capa universal para tablet. O problema era que, embora segurasse o Kobo por ser ajustável, ficava esquisito por ser demasiado grande. Procurei na Amazon mas os portes eram superiores ao preço da capa, o que me desmotivava. Até que um dia, na Fnac, um rapaz me sugeriu encomendar pelo Ebay porque têm bastantes produtos com portes grátis. Bom, não me tinha ocorrido, mas lá fui eu pesquisar e encontrei várias capas, de várias cores, com portes grátis e preços acessíveis. Ficou baratinho (não chegou a 8$) e chegou super rápido (mesmo vindo de Hong Kong!), quando encomendei a data estimada para entrega era entre 26 de Novembro e 21 de Dezembro, arquivei na memória porque achei que só ia chegar dia 18 - 19 de Dezembro. E quando chegou?? Na quarta-feira, dia 25! Além de ter chegado um dia antes vinha com um bónus: uma caneta touch screen cor-de-rosinha (que serve para o Kobo e também para telemóveis). Assim, resolveram-me um problema que me tem apoquentado nesta semana - como ler no Kobo na rua usando luvas para o frio?

 

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A caneta não parece pela foto mas é cor-de-rosa, mas mais um Rosa Gold (tipo o novo iPhone). Este livro estou a ler (estou mais a consultar quando tenho algum tempo) em simultâneo com O Amor nos Tempos de Cólera.

 

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A capa é a imitar pele, escolhi em preto por achar que é uma cor que não cansa. A capa é algo como magnetic auto sleep cenas. Bom, basicamente desliga quando fecho a capa e liga quando abro a capa. Simples e eficaz!

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publicado às 10:11

The Girl in The Spider's Web - Review

por Miss F, em 17.11.15

Já vos tinha dito que tinha algumas reservas a ler este livro, essencialmente por ser (quase?) um livro não autorizado (podem ver aqui). Mas sabia que não conseguia deixar passar, e como se sabe a curiosidade matou o gato.

 

Para quem ainda não leu, têm aqui a sinopse. O livro marca o regresso da Lisbeth e do Blomkvist mas foi um regresso a meio gás. Ou sem gás nenhum. A ideia do livro está engraçada, acho que o autor conseguiu desenhar uma boa ideia e pegar em aspectos não aprofundados nos livros anteriores para criar o que até poderia ter sido uma boa história. Contudo, a execução da mesma deixa a desejar, e muito. Em primeiro lugar o livro começa focado em duas personagens que pouco nos dizem - Alona Casales e Gabriella Grane. Até meio do livro temos pouca Lisbeth e pouco Blomkvist. Erika Berger, uma personagem que gosto bastante, aparece pouco e muito diferente. O mesmo se passa com Lisbeth e Blomkvist - têm o nome mas falta-lhes a essência, ambos ficam reduzidos aos seus traços gerais. A Lisbeth parece apática e falta-lhe profundidade; o Blomkvist nem se percebe bem, inicialmente está sem vontade de continuar na Millenium, depois já está a lutar para 'salvar' a revista. Falta muita coisa para serem realmente as personagens que gosto.

 

A história centra-se na Inteligência Artificial e num miúdo autista, filho da personagem que desenvolve toda uma investigação sobre Inteligência Artificial. Penso que o objectivo seria levantar um bocadinho o debate sobre se as máquinas poderão vir a suplantar quem as criou, mas o desenrolar da coisa parece tudo muito atabalhoado. Temos também a exploração do autismo de uma forma muito superficial, embora se gere alguma simpatia para com o Augustus. Surge ainda a questão dos hackers mas explorado de uma forma... esquisita. Quis ser tanta coisa que acabou por não ser nada. Enquanto nos livros anteriores Larsson abordava sempre um tema importante (violência contra as mulheres, tráfico humano...) neste é tudo muito poucochinho e até confuso.

 

Depois temos o desenrolar da história, até meio é muito parado, sem grande sumo. Só a cerca de 100-80 páginas do final é que surge alguma acção. Há partes do livro que são boas mas, ainda assim, muito longe daquilo a que Stieg Larsson nos tinha habituado. Naturalmente esta comparação torna-se inevitável, afinal foi Lagercrantz quem assumiu o compromisso de continuar a obra. Voltando à história, passamos de um momento em que não sabemos nada para, de repente, passarmos a saber tudo. Demora demasiado tempo e depois, chega rápido de mais. Acho que realmente não foi uma prova bem superada, ficou provado que o livro só serviu mesmo para encher um pouco mais os bolsos do pai e irmão do Stieg Larsson.

Embora no Goodreads tenha 4 estrelas fui ver melhor os comentários e parece que estas pontuações foram atingidas antes do lançamento do livro, ou seja, representam expectativas altas. Da minha parte recebe uma mísera pontuação de . Os poucos aspectos que gostei neste livro não chegam sequer para as duas estrelas. Posso dizer-vos que quando estava a cerca de 15 páginas do fim (o que seria o clímax) adormeci. Promete, hein?

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publicado às 09:18

Desde 2014 que andava para ler este livro, uma colega de trabalho recomendou dizendo Gostei tanto, é tão imprevisível e tão bom que quando acabei voltei ao início. Mas fui lendo isto e aquilo e fui adiando este. Até que a Maria postou uma frase que me convenceu, depois a Magda disse que ia ler este e combinamos fazer uma leitura conjunta. Por fim, a Azulmar juntou-se à festa e assim iniciámos esta aventura.

 

A sinopse é bastante simples e até pode parecer mais um daqueles livros de investigação. Tanto assim é que apesar da recomendação e das críticas a sinopse não me fazia ter vontade de o ler. Mas acreditem que neste caso a sinopse não faz jus ao livro. É dos melhores livros que li este ano e, a nível de policial/investigação/mistério/thriller, mudou a forma como olho para este tipo de livros. O final é tão impossível de adivinhar, vai tendo tantas reviravoltas que chega a uma altura que ficamos confusos. E não é só no mistério inicial do desaparecimento da Nola, cada nova descoberta traz consigo mais mistério e mais confusão. Mas, se em alguns livros o final é tão rebuscado que nem faz sentido, neste faz todo o sentido, não é só imprevisível porque sim, não há uma tentativa de um final à 'três pancadas' só para surpreender.

 

A escrita é acessível sem ser simples, mas também não é pretensiosa. O ritmo do livro é impressionante, é um verdadeiro turn pages que não apetece largar nunca. Cheguei a dizer à Magda e à Azulmar que quando estava ocupada com coisas que tinha mesmo de fazer mas eram pouco interessantes estava sempre a pensar que podia estar a ler, quase contava as horas até poder retomar a leitura, ficava o dia todo com o Quebert na cabeça. É daqueles livros que por muito que escreva só conseguem perceber lendo.

 

Quanto às personagens nunca me senti tão enganada, defraudada, surpreendida, zangada e irritada como neste livro. Cada uma delas é um poço de surpresas, passei de odiar umas para sentir compaixão uns capítulos à frente, outras passei da admiração à incredulidade.. Enfim, este livro foi uma verdadeira montanha-russa de emoções! Acho que o livro ganha muito com estas variações, há uma expressão que gosto muito - as pessoas não mudam, revelam-se -, e neste livro isso vai acontecendo como na vida real, consoante vamos sabendo mais detalhes sobre as personagens a nossa opinião vai mudando. Quem, na vida, nunca ficou desiludido com um amigo ou surpreendida pela positiva com outro? 

 

Um dos aspectos que mais gostei neste livro é o facto de falar muito sobre livros e escrita, como adoro ler e escrever estes temas conquistam o meu coração! Para mim um livro é bom quando tem muitas frases que eu leio e penso 'Caramba, quem me dera ter escrito isto'. Uma das melhores e das minhas preferidas a Magda já partilhou, mas deixo-vos com outra que também gostei bastante:

 

Life is a long drop down, Marcus. The most important thing is knowing how to fall.

 

Resta-me ainda dizer que, embora possa parecer pretensioso da parte do autor, a verdade é que o próprio tem noção que escreveu um excelente livro e não tem medo de o assumir. E isso vê-se no Epílogo, ele tem noção do efeito que o livro tem nas pessoas. E se a humildade é uma virtude, reconhecer que se fez um bom trabalho também pode ser difícil.

 

Pontuação: Desde que comecei este sistema este foi o livro que mais fiquei na dúvida entre 4  e 5 . O livro é excelente, tem um impacto brutal em nós, a história está muito bem construída e desenvolvida (e nem sempre uma boa ideia consegue ser bem desenvolvida) e por isso merece . Mas há qualquer coisa nas personagens que me faz gostar um bocadinho menos (comparando com outras personagens que já li) e pensei dar . Por isso acho que me fico pelo  e meio!

 

Magda e Azulmar foi um gosto partilhar convosco esta aventura, foi a primeira leitura conjunta que fiz e gostei muito, sofro muito quando estou a ler um livro e não tenho ninguém com quem partilhar, por isso saber que podia comentar convosco tornou a leitura melhor! Agora, vocês que me estão a ler, ide visitar estas moçoilas e vede o que elas têm a dizer!

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publicado às 10:00

Finalmente consegui arranjar uns minutinhos para vos vir aqui falar de um dos melhores livros que li este ano - The Nightingale de Kristin Hannah. Não conhecia a autora, o livro não me foi recomendado por ninguém e nem sequer li opiniões antes de ler, foi um livro que li completamente por acaso. Vi na lista de Best Sellers do New York Times e a sinopse chamou-me à atenção. Foi publicado no início deste ano e, à data em que escrevo, mantém-se no Top 20 da referida lista. Se é verdade que tenho uma lista interminável de livros para ler, alguns deles há anos, é também verdade que gosto de ir lendo um ou outro livro recente, que apareça nestas listas para me manter a par do que se vai escrevendo por aí.

 

Não conhecendo a autora a escrita foi uma completa revelação, é uma escrita fluida, cuidada e com óptimos diálogos. A história passa-se em dois momentos - em França, durante a Segunda Guerra Mundial, e nos Estados Unidos em 1995. Vai acompanhando a história de duas irmãs, a irmã mais velha, Vianne, casada e com uma filha, é a irmã mais certinha, a Isabelle é a rebelde, que foi expulsa de vários colégios. Já vos disse, aquando da review ao All the Light We Cannot See, que gosto muito de livros passados em clima de guerra, principalmente nesta guerra. Isso, claro, contribuiu para escolher este livro entre tantos outros. Quando a história se desenrola nos anos quarenta vai-se dividindo entre as duas irmãs; em 1995 temos apenas uma narradora, sexo feminino, sem qualquer caracterização que torna impossível perceber quem é. Ao longo do livro pensei que fossem mil personagens diferentes, uma das irmãs, uma amiga de uma delas, uma mera conhecida, a filha de uma delas, enfim as hipóteses eram mais que muitas e, no final, é surpreendente. 

 

A história é lindíssima, enternecedora, retrata bem a dureza da guerra e do regime Nazi, tem paixões, traições, lealdades quebradas e reconquistadas, tudo aquilo que a guerra proporciona ao ser humano. A diferença deste para o All The Light We Cannot See é que, sendo escrito por uma senhora acaba por ter outra sensibilidade e dar ênfase a situações que os homens nem sempre conseguem (embora haja excepções, naturalmente), acaba por ser uma visão um bocadinho diferente da guerra, não diria sentimentalista mas mais humana e mais sensível. Acabei de ler este livro a um sábado, já passava das três da manhã, porque simplesmente não conseguia nem queria largá-lo. Chorei em alguns momentos do livro e, no final, há tanta coisa que acabou bem e tantas outras que ficaram mal que chorei durante um capítulo inteiro. Sem dúvida que a Vianne e a Isabelle vão ficar guardadas na memória como das melhores personagens que li. É, também sem dúvida, um livro que irei reler no futuro.

 

Este livro deixou-me também curiosa para ler outros trabalhos da autora, gostei tanto do livro que acabei por deixar (através da minha conta Goodreads pessoal) uma mensagem à autora, coisa que nunca tinha feito na vida. Mas o livro tocou-me tanto que não resisti.

 

Se querem ler um bom livro e estão sem ideias, se querem começar já a fazer as compras de Natal (faltam dois meses pessoas!!!) e há pessoas a quem vão oferecer livros este é um excelente presente (embora ainda só haja em inglês...). Podem encontrá-lo no Círculo de Leitores e aproveitar para ler uma entrevista da autora (obrigada à M* pelo excelente trabalho de investigação ).

 

The Nightingale recebe, sem sequer pensar duas vezes 

 

Nota: post editado para acrescentar o link da versão em Português.

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publicado às 18:48

Ensaio Sobre a Cegueira - Review

por Miss F, em 01.10.15

Terminei esta semana um dos livros mais perturbadores que já li. Como não podia deixar de ser, passou imediatamente para o top dos meus preferidos. É um livro tão incómodo que nem sei por onde hei-de começar. Bem, a sinopse podem ler aqui. Adoro a escrita de Saramago, a forma como abdica dos parágrafos, vírgulas e pontos finais, com um encanto que só ele tem. O livro centra-se, como o título indica, na cegueira, uma cegueira que se alastra a todos como se de uma epidemia se tratasse. Esta cegueira geral leva a que todos desçam ao mais baixo que podem descer, à completa desorganização e falta de solidariedade. Assim, o que de melhor e de pior cada um tem vê-se com mais clareza - e é aí que reside a beleza deste ensaio. Conseguimos ver melhor as pessoas quando não as vemos, quando não vemos caras nem extratos sociais, quando não vemos idades nem riquezas, aí sim, vemos aquilo que as pessoas verdadeiramente são.

Este livro é uma crítica forte à sociedade, é um livro difícil de ler, violento psicologicamente e, tendo sido escrito em 1995, passados 20 anos continua actual. Uma destas noites, depois de ter estado a ler durante umas duas horas, levantei-me para ir fazer chá. O livro é tão desconcertante que dei por mim a ter atenção a todos os pormenores entre o quarto e a cozinha, a todos os gestos que fazia tão naturalmente e se adivinham difíceis para quem não os vê, temendo que a qualquer altura também a cegueira branca viesse reclamar os meus olhos. Com este livro surgiram tantas reflexões, umas mais mediatas - e se eu deixasse de ver? O primeiro receio foi deixar de conseguir ler, deixar de ser independente, deixar de conseguir ver as pessoas que gosto. Depois de terminar o livro abateu-se sobre mim uma solidão tão grande, um desconforto que é difícil explicar, e vieram outras reflexões - comecei a pensar que nós vemos tudo, mas observamos pouco. Vemos o dia, as pessoas, as coisas, correrem à nossa volta mas não vemos as pessoas por dentro, não conseguimos passar além do mundano. Apercebi-me que, realmente, o maior cego é aquele que não quer ver. E todos somos culpados deste mal, todos optamos por cegueiras temporárias que tornem o nosso mundo mais confortável, quando a vida está condenada a ser um desconforto. O desconforto que encontramos nas personagens deste livro é isso mesmo, a vida, em toda a sua plenitude, elevada ao extremo. Dei por mim a pensar se realmente conheço as pessoas que fazem parte da minha vida, se conheço a sua essência ou se vejo apenas a superfície, aquilo que eles querem que os outros vejam porque não são capazes de mostrar o que são realmente. Mas será que eu não faço o mesmo? Será que eu vejo sequer o que sou por dentro? 

 

Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.

 

Pontuação: 

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publicado às 12:51

Detalhes do meu cantinho de leitura

por Miss F, em 30.09.15

Vocês pediram muito e como eu não gosto de deixar os pedidos por atender deixo aqui algumas fotos do meu novo cantinho de leitura (podem ler sobre isso aqui). Estas são as fotos já trabalhadas por mim. Embora não considere que tenha um talento natural para a fotografia (que não tenho) gosto de brincar com as ferramentas de edição de imagem (sou viciaaaada no Instagram), que melhoram sempre qualquer coisinha que tenha ficado pior. Corta-se aqui, vira-se ali, dá-se brilho acolá e - voilá! Uma foto como nova.

 

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Ora, este é o tal sofá que ganhei e que faz toooda uma diferença no meu quarto. Reparei, depois de tirar a foto, que a manta está um pouco assimétrica mas tive preguiça de ajeitar e ir tirar novamente. Como já devem ter visto pelo novo rosto do blog eu não resisto ao cor-de-rosinha, o que se há-de fazer? Sou pindérica. Por cima tem um quadro de Londres que me ofereceram há anos, este não é o destino final mas tenho de ir comprar ferramentas para o pôr onde quero e ainda não fui. 

 

 

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A minha prateleira Murakami. Sim, são pouquinhos. Em parte porque, como disse à M*, só descobri em 2013, mas também porque me faltam alguns que emprestei a amigos. Esta bonequinha é um mealheiro que costumava estar na sala e nunca lhe dei importância, contudo achei que agora ligava lindamente com o Murakami e cá está ela!

 

 

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A minha paixão, o meu orgulho, a minha prateleira preferida no mundo! São os meus livros do Harry Potter e da J.K. Rowling. A figurinha ofereceram-me no lançamento do último livro em inglês na Fnac (a varinha já se perdeu com tantas mudanças). A caneca de Hogwarts comprei quando fui a Londres, em 2014, na loja que há em King's Cross. Como devem reparar não tenho o útlimo livro em português. A maior parte das pessoas fica chocada como é que eu, a maior fan do Harry Potter que conhecem, não tem esse livro. Pois é meus caros, eu tenho uma teoria rocambolesca - sinto que, quando comprar o último em português, a história acaba de vez (até rimou!), sinto que deixo de ter alguma coisa que falta. Por isso, da mesma forma que decidi que só relia tudo aos 30 (está a custar taaaanto), também decidi que quando isso ocorrer é que compro o último livro e leio em português. A minha esperança é que a essa idade já tenha mais juízo e já consiga lidar com o fim.

 

Maaas se pensam que isto é tudo o que tenho do Harry Potter desenganem-se: há porta-chaves, canetas, caixas, agendas, borrachas, T-Shirts, a foto na Platform 9 3/4, e tudo e tudo, mas estão espalhadas. A minha irmã (que me ajudou com a mudança) já dizia 'Se eu vejo mais alguma coisa do Harry Potter dou-te com ela na cabeça!!!'

 

 

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Esta é uma amostra do sistema de cores dos livros. Não fiz arco-íris, fui só juntando em blocos de cor. Estão muitos géneros misturados, desde romances, biografias, livros mais técnicos/políticos e clássicos. Tirei a foto neste preciso ponto da estante para terem uma ideia dos meus gostos variados - vai de Platão ao David Beckham, de Jane Austen a Bridget Jones. Por isso é que me foi tão difícil nestas confissões indicar um género literário que não leia, leio de tudo um pouco!

 

 

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Esta sei que é uma prateleira conflituosa, sei que muitas pessoas vomitam ao som de Fifty Shades, mas eu adoro. O quadro que está por trás foi uma prima que me ofereceu no Natal e eu A-DO-RO. A máscara ofereceram-me na Fnac quando a E. L. James veio cá a uma sessão de autógrafos e as velas já tenho há anos. Achei que estas coisinhas resultavam muito bem umas com as outras. Se repararem tenho 4 livros - um, em português, que está autografado, e a trilogia em inglês. Falta aqui o Mr Grey, que já tem livro próprio e porquê? No dia do lançamento saí de casa cedo para ir comprar, mas nos sítios onde fui ainda não estava à venda. Frustrada, voltei para casa e, como não sou uma moça paciente lembrei-me 'Espera lá que tu tens o Kobo!', por isso saquei e li em dois dias. Mas não pensem que vou deixar de o ter, quero completar a minha colecção!

 

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Por fim, os meus souvenirs de viagens internacionais - o Coliseu de Roma e o Big Ben. Embora tenha escrito sobre Roma, fiquei-me pelo primeiro dia e nunca vos contei os restantes (pura prequiça, admito sem pudor!).

 

E pronto, assim ficam algumas fotos do meu novo quarto, alguns detalhes que quis partilhar convosco. Como diz o outro, uma imagem vale mais do que mil palavras (embora eu não me tenha contido nas palavras, desde pequena que tenho o defeito de explicar tudo ao pormenor), por isso espero que gostem!

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publicado às 16:51

Mais mudanças

por Miss F, em 29.09.15

Já vos disse que ando em mudanças. Esta semana decidi mudar completamente o meu quarto, mantendo tudo o que tinha e ganhando algumas coisas - sem gastar um tostão. Foram precisas muitas medições para ver se cabia tudo, muito trabalho de força, mudei de planos 37 vezes, ajustei pormenores mais umas 42 vezes mas, no fim, tudo ficou como eu queria.

 

A principal alteração foi ter ganho um sofá, o que permitiu que finalmente tenha uma coisa que sempre quis - um cantinho de leitura. Tenho uma daquelas mobílias que é a cama por baixo do móvel (estúdio? alçada?) tipo isto e estava farta de estar confinada a esse espaço. Por isso pus o sofá no lugar da cama, com as estantes cheias de livros e tenho um espacinho só para ler. Estu tão feliz que só quero passar lá os dias inteiros, com um chá, entre livros.

 

Outra modificação que fiz foi ordenar os livros por cores. E fica tãaaao giro! Foi difícil, principalmente porque as editoras são pouco originais ao nível das lombadas. Tenho milhentos livros pretos e cor-de-burro-quando-foge (aquele castanho que não é bem isso, com laivos de cinzento e bege), bastantes azuis, amarelos e encarnados e pronto. Não tenho um único livro verde, rosa ou laranja. Vá lá editoras, esqueçam as cores escuras sim? Vamos apostar em cores divertidas! Também nos livros continuo com prateleiras especiais: uma só da Rowling (que inclui o bonequinho e uma caneca do Harry Potter) e outra só do Murakami (com uma bonequinha oriental ao lado). Se pedirem muito eu tiro fotos.

 

Outra coisa que adoro é um mega quadro de Londres (que podem comprar no Ikea) por cima da minha cama. Como já devo ter dito, adoro Inglaterra e Londres em particular, por isso é o toque perfeito.

 

Fiquei muito feliz com esta mudança, agora sim - o quarto é mais meu!

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publicado às 17:42

Gillian Flynn - Review

por Miss F, em 23.09.15

Quando comcei a escrever esta review era suposto ser sobre o Sharp Objects, mas reparei que a única crítica que fiz ao trabalho de Gillian Flynn foi através do filme que saiu no ano passado. Desde então já tive oportunidade de ler a obra completa (são só três livros, mas assim soa melhor) e achei que tinha mais interesse fazer um post abrangente.

 

Sharp Objectsé o primeiro livro da autora mas foi o último que li e por isso está mais fresco na memória, li nas férias de Julho Lugares Escuros e Em Parte Incerta li algures entre Junho e Julho (em altura incerta**). O que mais gostei foi o Em Parte Incerta, acho que de todos é o que melhor explora a dimensão psicológica do ser humano. Todos os livros têm pontos comuns - as personagens principais são sempre mulheres, têm uma carga psicológica e emocional forte, e são muito dark. Há sempre uma relação difícil/inexistente das personagens com as mães, um facto que achei curioso. A escrita da autora é extraordinária (mais uma vez, atinge o seu expoente máximo Em Parte Incerta), muito fluida e sem grandes floreados desnecessários. Nos momentos mais altos torna-se cortante, mas sempre com um bom ritmo, de tal modo agradável que o último que li demorei apenas dois dias. São livros com histórias muito bem pensadas, completamente imprevisíveis. Mas quando digo completamente é ao estilo Agatha Christie, praticamente impossível chegar lá. No Sharp Objects pensei que tinha conseguido desvendar o mistério logo bem cedo (e até estava um pouco desiludida) mas depois, naturalmente, não adivinhei. Gosto disto nos livros, gosto que sejam um desafio para os leitores. Sim, sabe bem descobrir o final antes (como neste) mas sabe ainda melhor ser surpreendido.

 

Se nunca leram nada de Gillian Flynn sugiro que comecem pelo Em Parte Incerta, aposto que vão querer ler mais. Se não tiverem paciência para ler vejam os filmes, um teve nomeação para Oscar (quem é que adivinhou que ia ter, quem foi? Euzinha própria) e o outro conta com a Charlize Theron. 

 

Pontuações dos livros:

 

Sharp Objects 

Em Parte Incerta 

Lugares Escuros 

 

*Aviso à navegação: quando faço críticas de livros ponho os títulos consoante a língua em que li, daí que o Sharp Objects seja o único que, neste post, está em inglês.

**Sofro do problema de achar que tenho piada. Vá, riam-se lá que agora até tive.

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publicado às 10:00

The Goldfinch - Review

por Miss F, em 22.09.15

Como vos disse há uns tempos embarquei numa aventura e pêras em Agosto, finalmente li o tão aclamado The Goldfinch de Donna Tartt. Demorei bastante, mais do que esperava, porque é um livro longo (quase 900 páginas) e pelo meio puseram-se férias, passeios aqui e ali e a coisa foi-se arrastando. Mas o que me fez demorar mais foi mesmo a falta de entusiasmo. Via críticas tão boas, pessoas que devoraram o livro em pouco tempo, coisas tão maravilhosas que acabei por ficar desiludida. Não achei o livro nadinha de especial. Mas vamos por partes.

 

No geral gostei da história, mas não gostei das personagens. Acho que a história contava-se bem (talvez até melhor) em 300-400 páginas, tudo demora muito a acontecer e isso torna-o aborrecido. Sempre que pegava no livro pensava 'Credo ainda não passei esta parte??'. Em segundo lugar, eu sou uma leitora que liga muito às personagens, gosto que me despertem sensações, gosto de os ver como pessoas a sério, gosto quando estou a ler um livro e, durante as horas em que não posso ler, tenho saudades das personagens. Gosto de personagens que me façam amá-las e odiá-las, mas sempre ao ponto de querer saber tudo o que lhes acontece. Sabem aquela sensação de fazer alguma coisa quotidiana e pensar em personagens de livros porque fizeram algo semelhante, mesmo que insignificante? No caso do Theodore Decker só conseguiu ser indiferente. Raramente me lembrava dele, nunca estive com aquele nervoso nos dedos para ir folhear mais páginas. Por isso, quando a personagem não me convence é uma tarefa difícil. Reconheço que a escrita em si não é má, é interessante, o problema está mais no ritmo do livro e nas personagens pouco interessantes. 

 

Contudo, achei o último capítulo muito interessante - muito filosófico, com uma escrita mais bonita e mais profunda. Foi a minha parte preferida do livro porque nos faz pensar. O livro levanta, ao longo da narrativa, algumas questões éticas e morais, o que é interessante mas pouco explorado, o que acho uma pena. Para um livro tão grande acho que havia espaço para a personagem se debater um pouco mais com algumas questões, no lugar dele sei que pensaria mais nas coisas - acho que faz parte da natureza humana questionar (por vezes até em excesso). Pode ser também esse o objectivo da escritora, deixar as questões para o leitor. Não posso dizer que tenha odiado, como disse o livro tem pontos positivos, mas não gostei assim tanto. 

 

Aproveito esta crítica para introduzir uma novidade: pontuações para cada livro (eu bem vos disse, estou em fase de mudanças!), em formato de . Uma signifca que não gostei, duas que gostei pouco, três não gostei muito mas reconheço pontos positivos no livro (o chamado nem carne nem peixe), quatro gostei, cinco adorei.

 

The Goldfinch recebe  .

 

To try to make some meaning out of all this seems unbelievably quaint. Maybe I only see a pattern because I've been staring too long. But then again [...] maybe I see a pattern because it's there.

 

 

 

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publicado às 09:00


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