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Privatize-se senhor, privatize-se!

por Miss F, em 08.10.15

Estou farta. Farta, cansada, desgastada pelo mau funcionamento dos transportes públicos. Eu não tenho carta e por isso uso há 15 anos, assiduamente, mesmo quando estou de férias, os transportes em Lisboa. São 15 anos de passes mensais (nem vou fazer as contas senão dá-me um treco). Muita gente me diz que não sabe como aguento, que desde que tirou a carta nunca mais pôs os pés num autocarro nem no metro. Mas que querem? Nunca me deu para isso, quando vejo o preço da carta penso 'com este valor fazia uma bela viagem' e desmotivo.

 

Em 15 anos muitas foram as vezes que reclamei, principalmente com as greves. Mas actualmente já não há cu que aguente. Eu hoje estive 55 - CINQUENTA E CINCO - minutos à espera de um autocarro. Depois, à vinda para casa, mais MEIA HORA!! Perdi 1h30 à espera de um autocarro que, em teoria, passa a cada 20 minutos. Se isto fosse um dia por acaso eu dava o desconto (como já dei tantas vezes) mas é a segunda vez no espaço de uma semana e já seguiu a devida reclamação (que eu não sou daquelas que fala fala e não faz nada, o livro vermelho é o meu melhor amigo!). Já cheguei a apanhar táxis para coisas importantes por causa de atrasos nos autocarros, mas naturalmente não ganho para isso.

 

Por isto, pelas greves, por tudo eu vos digo - privatizem isto tudo para ver se funciona melhor, porque actualmente uma pessoa simplesmente não pode confiar nos transportes.

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publicado às 23:00

Desafio: Os meus sapatos

por Miss F, em 07.10.15

Fui convidada pela Bá ♥ para um desafio sobre sapatos. Embora seja uma faceta que mostro pouco no blog adoro moda, roupas, sapatos, maquilhagem e todas essas coisinhas maravilhosas da vida das mulheres! Por isso é com muito gosto que respondo a estas perguntas:

 

- Se só pudesses ter um par de sapatos para o resto da vida, qual escolhias?

Botas camel com cunha. Sim, no Verão ia ser complicado mas acho botas camel dos sapatos mais elegantes e bonitos, adoro o conforto das botas com cunha e, só podendo ter uns, escolhia estes!

 

- Sapatilhas ou Saltos Altos?

Saltos Altos. Adoro saltos altos, alteram por completo qualquer look, a silhueta fica mais bonita, as pernas mais alongadas (principalmente com vestidos e skinny jeans) e, no geral, ficamos mais elegantes. 

 

- És doida por sapatos ou preferes andar descalça?

Embora adore andar descalça em casa (hábito que a minha mãe abomina) sou doida por sapatos. Não tenho muitos porque calço um número muito difícil de encontrar, muitas vezes apaixono-me por sapatos e depois não me servem, por isso a minha vida é complicada, muito complicada!

 

Quem quiser responder, sintam-se à vontade para roubar estas perguntas da Bá ♥!

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publicado às 22:00

Odeio pessoas

por Miss F, em 07.10.15

que assumem que quem trabalha no atendimento ao público é um ignorante sem formação nenhuma.

 

E isto tanto serve para presencial como telefónico (já passei pelos dois). Para melhor dissecar estas pessoas vou contar-vos uma história. Depois de acabar a licenciatura vi-me desempregada (como tantos outros) e fui recorrendo a este e àquele trabalho, um deles embrulhos na altura do Natal. Estava eu na minha labuta quando vejo uma cara conhecida, uma antiga professora na fila para recorrer aos meus préstimos. Quando chegou à vez dela (ainda me lembrava do nome) disse-lhe que não se devia lembrar de mim porque já tinham passado alguns anos, mas que eu me lembrava dela e sempre gostei das suas aulas (e reparem, nem sequer estava a mentir!!). Lá disse a escola e o ano para ela ficar com uma noção do tempo e ela, admitindo que de facto tinha dificuldade em lembrar-se, diz o seguinte: Então e a menina está aqui? Deixou de estudar... Mesmo assim, com reticências, sem qualquer entoação de pergunta. Por momentos até parei o que estava a fazer, olhei para ela e respondi-lhe Não, acabei o secundário com uma boa média e tirei uma licenciatura, mas como este país é tão pobrezinho vou fazendo o que posso pela vida. Escusado será dzer que a conversa morreu ali e esta grande idiota passou de uma das professoras que lembrava com mais respeito, e até algum carinho, a rosto de um tipo de pessoas que odeio, ilustrando como as pessoas são pequeninas na forma como olham os outros. 

 

E agora digam-me lá, quantos de vocês já sofreram isto na pele e odeiam estas pessoas?

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publicado às 17:40

Obsoletismos de estado

por Miss F, em 02.10.15

Cada vez acredito mais que os centros de emprego servem mais para nos dificultar a vida do que para nos ajudar. Até vou dividir por pontos para ser mais fácil:

 

1. Estou desempregada e recebo subsídio de desemprego.

2. Em 5 meses os únicos contactos que tive do centro de emprego foram 'sessões colecticvas de trivialidades'.

3. Consegui, por minha iniciativa, ser seleccionada para um estágio que vai ter início em Janeiro.

4. Este estágio prevê uma formação intensiva obrigatória de três meses, a full-time, sem qualquer remuneração.

5. Se não tenho remuneração tenho direito a continuar a auferir o dito subsídio. Até aqui, estão a acompanhar?

 

Desloquei-me ao centro de emprego para saber se, dado que já tenho emprego GARANTIDO a partir de Janeiro (logo vou deixar de ser um encargo para o estado) e tendo uma formação OBRIGATÓRIA para integrar esse emprego se era possível suspender a procura activa de emprego e as presenças quinzenais (que vão coincidir com o horário da formação). Não. Porque se estou desempregada tenho esses deveres. Sim, tudo bem, aquilo que estou a explicar é que na prática eu consegui o "dever" mais difícil - arranjar emprego através da procura activa de emprego, mas a remuneração é só a partir de Janeiro, logo até lá não tenho meios de subsistência (diga-se que nuna recebi outros subsídios, nem sequer uma baixa médica, é a primeira vez que sou um encargo para o estado). Não, porque aliás, se até Janeiro lhe apresentarmos uma proposta de trabalho que se enquadre no seu perfil está obrigada a aceitar. Mas não está a perceber, eu já tenho emprego GARANTIDO, mas só começo a ser paga em Janeiro. Pois. Tentei ainda ir por outra via - marcar os 30 dias de dispensa anuais a que temos direito neste primeiro mês e depois logo tentava articular com a empresa a questão das apresentações mais tarde, quando já houvesse alguma 'confiança'. Tem de marcar com 30 dias de antecedência, só pode pedir para 2 de Novembro. Sim, porque deve ser difícil conciliar as férias dos desempregados, depois há pouca gente e não está assegurada a produtividade (sarcasm mode: on). 

 

Eu sei que leis são leis, mas caramba não há um pouco de bom senso? Era preferível eu ter ficado com o rabo no sofá à espera de uma proposta deles? Que em 5 meses aconteceu.... Nunca? Pior, a resposta até podia ser a mesma - um rotundo não vai dar, mas a forma como nos falam dá vontade de lhes atirar com uma coisa à cabeça, com aquela arrogância de quem nunca esteve desempregado e por isso despreza quem está nessa situação e não mostra qualquer simpatia.

 

São este tipo de burocracias estúpidas que atrasam um país que, no século XXI, vive numa realidade dos anos 70. Onde desempregados são tratados como criminosos, com apresentações quinzenais. Onde não há o mínimo de flexibilidade para entender que a vida não é linear, que há situações que fogem às leis obsoletas destes organismos. O que provavelmente vai acontecer é que, se a empresa não estiver para 'aturar' estas situações de ter de chegar mais tarde/sair mais cedo para ir às apresentações vou acabar por deixar de receber o subsídio de desemprego e ter de recorrer à ajuda financeira de familiares para não perder uma óptima oportunidade de emprego. E são estas merdinhas deste país que me fazem ter vontade de fazer as malas e ir embora de vez, porque descontamos para tudo e mais um par de botas e quando precisamos da mínima coisa do estado fazem ouvidos moucos e estão-se a cagar para as pessoas. E já não tenho vontade nenhuma de viver num país assim. Bardamerda para isto.

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publicado às 16:12

Ensaio Sobre a Cegueira - Review

por Miss F, em 01.10.15

Terminei esta semana um dos livros mais perturbadores que já li. Como não podia deixar de ser, passou imediatamente para o top dos meus preferidos. É um livro tão incómodo que nem sei por onde hei-de começar. Bem, a sinopse podem ler aqui. Adoro a escrita de Saramago, a forma como abdica dos parágrafos, vírgulas e pontos finais, com um encanto que só ele tem. O livro centra-se, como o título indica, na cegueira, uma cegueira que se alastra a todos como se de uma epidemia se tratasse. Esta cegueira geral leva a que todos desçam ao mais baixo que podem descer, à completa desorganização e falta de solidariedade. Assim, o que de melhor e de pior cada um tem vê-se com mais clareza - e é aí que reside a beleza deste ensaio. Conseguimos ver melhor as pessoas quando não as vemos, quando não vemos caras nem extratos sociais, quando não vemos idades nem riquezas, aí sim, vemos aquilo que as pessoas verdadeiramente são.

Este livro é uma crítica forte à sociedade, é um livro difícil de ler, violento psicologicamente e, tendo sido escrito em 1995, passados 20 anos continua actual. Uma destas noites, depois de ter estado a ler durante umas duas horas, levantei-me para ir fazer chá. O livro é tão desconcertante que dei por mim a ter atenção a todos os pormenores entre o quarto e a cozinha, a todos os gestos que fazia tão naturalmente e se adivinham difíceis para quem não os vê, temendo que a qualquer altura também a cegueira branca viesse reclamar os meus olhos. Com este livro surgiram tantas reflexões, umas mais mediatas - e se eu deixasse de ver? O primeiro receio foi deixar de conseguir ler, deixar de ser independente, deixar de conseguir ver as pessoas que gosto. Depois de terminar o livro abateu-se sobre mim uma solidão tão grande, um desconforto que é difícil explicar, e vieram outras reflexões - comecei a pensar que nós vemos tudo, mas observamos pouco. Vemos o dia, as pessoas, as coisas, correrem à nossa volta mas não vemos as pessoas por dentro, não conseguimos passar além do mundano. Apercebi-me que, realmente, o maior cego é aquele que não quer ver. E todos somos culpados deste mal, todos optamos por cegueiras temporárias que tornem o nosso mundo mais confortável, quando a vida está condenada a ser um desconforto. O desconforto que encontramos nas personagens deste livro é isso mesmo, a vida, em toda a sua plenitude, elevada ao extremo. Dei por mim a pensar se realmente conheço as pessoas que fazem parte da minha vida, se conheço a sua essência ou se vejo apenas a superfície, aquilo que eles querem que os outros vejam porque não são capazes de mostrar o que são realmente. Mas será que eu não faço o mesmo? Será que eu vejo sequer o que sou por dentro? 

 

Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.

 

Pontuação: 

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publicado às 12:51

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